Card com o salario de admissao do vigilante em 2026 segundo o Novo CAGED

Quanto ganha um vigilante em 2026: salário por experiência e região

Quem pesquisa quanto ganha um vigilante quase sempre esbarra em dois extremos: a tabela de piso de um sindicato específico ou o print de um contracheque de carro forte cheio de adicionais. Nenhum dos dois responde à pergunta de forma honesta. Esta página parte do microdado do Novo CAGED de julho de 2026 e mostra a mediana do salário de admissão do vigilante no Brasil, a faixa completa do p25 ao p90, o recorte por estado, o corte por faixa etária e a comparação com as ocupações vizinhas da segurança privada.

Todos os valores aqui são de salário de admissão. Ou seja, o valor do contrato de entrada assinado no mês, e não a remuneração de quem já está há dez anos no mesmo posto. Essa distinção muda a leitura inteira e é justamente o que a maioria das páginas sobre o assunto deixa de dizer.

Quanto ganha um vigilante hoje

A mediana do salário de admissão do vigilante no Brasil foi de R$ 2.271,74 em julho de 2026, calculada sobre 20.066 contratações formais registradas na CBO 517330. A tabela traz a distribuição completa. O p25 é o valor abaixo do qual ficou um quarto das admissões e o p90 é o teto de 90% delas. A mediana é sempre o número mais honesto para salário, porque não é puxada para cima por poucos contratos altos.

Indicador Valor mensal Leitura
p25 R$ 1.901,96 Um quarto das admissões saiu abaixo disso
Mediana R$ 2.271,74 O ponto médio da ocupação
Média R$ 2.263,06 Abaixo da mediana, sinal de faixa comprimida
p75 R$ 2.271,74 Coincide com a mediana, o que é raro
p90 R$ 2.536,00 Só um em cada dez contratos passou daqui
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Salário de admissão na CBO 517330, competência 07/2026. Base de 20.066 admissões. Consulta em 09/09/2026.
Faixa salarial do vigilante em 2026, do p25 ao p90, segundo o Novo CAGED
Distribuição do salário de admissão do vigilante, Novo CAGED 07/2026.

Do p25 ao p90: a faixa real do vigilante

A distância entre o p25 e o p90 é de 33,3%, ou R$ 634,04 em dinheiro. Para efeito de comparação, no motorista de caminhão essa mesma distância é de 38,5% e em ocupações de tecnologia ela passa de 300%. O vigilante tem uma das faixas mais comprimidas do mercado formal brasileiro, e isso não é acaso: a remuneração da categoria é definida quase inteiramente por convenção coletiva estadual, que fixa um piso e deixa pouco espaço para negociação individual na hora da contratação.

O detalhe mais curioso da distribuição é a mediana coincidir com o p75, os dois em R$ 2.271,74. Isso significa que uma fatia enorme dos contratos foi assinada exatamente no mesmo valor. Quando um único número ocupa do ponto médio até o terceiro quartil, a leitura é direta: existe um valor de referência dominante no mercado e a maioria das empresas contrata nele.

Na prática, isso é uma notícia de dois lados. O lado bom é a previsibilidade: quem entra na profissão sabe com boa precisão quanto vai receber, porque o intervalo é estreito e o piso é conhecido. O lado ruim é o teto: subir dentro da função rende pouco, e o salto real de remuneração só aparece quando se muda de função, não quando se acumula tempo de casa no mesmo posto.

O que faz o salário do vigilante variar

Cinco fatores explicam praticamente toda a variação observada nos contratos de julho de 2026.

O estado. É o fator mais forte, e de longe. A convenção coletiva é negociada por base territorial, então o mesmo trabalho vale valores diferentes conforme a fronteira. A diferença entre o topo e a base da tabela por estado passa de 76%.

O tipo de posto. Vigilância patrimonial em portaria, vigilância bancária, transporte de valores e escolta armada são atividades distintas dentro da mesma CBO, com exigências de curso de extensão diferentes e adicionais diferentes. Um vigilante de posto fixo e um de carro forte aparecem juntos nesta base.

O porte do contratante. Empresas especializadas com contratos grandes de terceirização praticam faixas mais estáveis do que condomínios e comércios que mantêm serviço orgânico próprio.

Os adicionais. A atividade de segurança pessoal ou patrimonial é enquadrada como perigosa pelo art. 193 da CLT, o que dá direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário base. Some a isso o adicional noturno e o que a escala 12×36 gera de reflexos.

A escala. A 12×36 é a mais comum na categoria. Ela não muda o salário base, mas muda muito o valor da hora efetivamente trabalhada, como mostra a seção sobre valor por hora mais adiante.

Salário de vigilante por estado

A tabela abaixo traz os doze estados com maior volume de contratação de vigilante em julho de 2026. Juntos, eles concentram 17.543 das 20.066 admissões do mês, ou 87,4% do total. A coluna de admissões existe para você julgar a solidez de cada linha antes de comparar valores.

Estado Admissões no mês Mediana Distância para a mediana nacional
Distrito Federal 522 R$ 2.859,58 +25,9%
Paraná 1.479 R$ 2.536,00 +11,6%
Minas Gerais 1.972 R$ 2.524,90 +11,1%
São Paulo 6.731 R$ 2.271,74 0,0%
Rio Grande do Sul 780 R$ 2.211,00 -2,7%
Goiás 698 R$ 2.120,00 -6,7%
Santa Catarina 983 R$ 2.091,63 -7,9%
Rio de Janeiro 1.692 R$ 2.034,15 -10,5%
Pará 453 R$ 1.901,96 -16,3%
Pernambuco 433 R$ 1.818,42 -20,0%
Mato Grosso 705 R$ 1.785,00 -21,4%
Bahia 1.095 R$ 1.621,00 -28,6%
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Salário de admissão na CBO 517330 por unidade da federação, competência 07/2026. Amostra mínima de 15 admissões por estado. Consulta em 09/09/2026.
Mediana salarial do vigilante por estado em julho de 2026 no Novo CAGED
Mediana do salário de admissão do vigilante por estado, Novo CAGED 07/2026.

Dois números merecem atenção. O Distrito Federal paga 76,4% a mais que a Bahia, uma das maiores distâncias regionais já observadas nesta série em ocupação de alto volume. E a Bahia entrega uma coincidência que não é coincidência: a mediana estadual do vigilante é R$ 1.621,00, o salário mínimo vigente na vírgula. Quando a mediana de uma ocupação regulamentada bate no mínimo nacional, o que se está lendo é um mercado em que o piso legal geral virou o teto prático da categoria.

São Paulo, que sozinho respondeu por um terço de todas as contratações do país na ocupação, tem mediana idêntica à nacional. Isso confirma a leitura da seção anterior: o valor de referência paulista é o que ancora a mediana do Brasil inteiro.

O mapa regional completo

Os doze estados da tabela concentram a maior parte do volume, mas a ocupação contrata nas 27 unidades da federação. Vale olhar o resto do mapa, porque ele explica melhor a lógica do setor do que a lista dos maiores.

Centro-Oeste. É a região com o topo e uma das bases. O Distrito Federal lidera o país com R$ 2.859,58 sobre 522 admissões, puxado pela concentração de órgãos públicos, bancos e grandes edifícios corporativos. Mato Grosso do Sul aparece com R$ 1.900,19 sobre 236 contratos e Mato Grosso com R$ 1.785,00 sobre 705.

Sul. A região mais homogênea e a segunda melhor do país. Paraná com R$ 2.536,00 sobre 1.479 admissões, Rio Grande do Sul com R$ 2.211,00 sobre 780 e Santa Catarina com R$ 2.091,63 sobre 983. As três medianas ficam acima ou muito perto da nacional.

Sudeste. Concentra metade do volume nacional e tem a maior dispersão interna. Minas Gerais surpreende em R$ 2.524,90, acima de São Paulo. O Rio de Janeiro, apesar do porte, entra em R$ 2.034,15, e o Espírito Santo em R$ 1.981,51 sobre 289 contratos.

Norte. Amapá aparece em R$ 2.184,08 sobre 189 admissões e Tocantins em R$ 2.294,47 sobre 60, os dois acima de estados bem maiores. Pará fica em R$ 1.901,96, Amazonas em R$ 1.828,81, Rondônia em R$ 1.900,09, Roraima em R$ 1.672,29 e Acre em R$ 1.639,14.

Nordeste. É a região de menor patamar. Ceará em R$ 1.952,07 sobre 347 contratos, Rio Grande do Norte em R$ 2.066,11, Piauí em R$ 1.845,06, Sergipe em R$ 1.800,00, Paraíba em R$ 1.764,93, Alagoas em R$ 1.719,62, Maranhão em R$ 1.696,70 e Bahia em R$ 1.621,00. Nenhum estado nordestino alcança a mediana nacional da ocupação.

Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Salário de admissão na CBO 517330 por unidade da federação, competência 07/2026. Todos os estados citados têm amostra igual ou superior a 15 admissões. Consulta em 09/09/2026.

O que muda com a idade de quem entra

Aqui está o dado mais diferente desta profissão. Em quase toda ocupação de grande volume, a maioria das admissões é de gente com até 24 anos. No vigilante acontece exatamente o oposto.

Faixa etária Admissões no mês Participação Mediana
Até 24 anos 1.071 5,3% R$ 2.092,20
25 a 34 anos 4.865 24,3% R$ 2.211,00
35 anos ou mais 14.118 70,4% R$ 2.271,74
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Salário de admissão na CBO 517330 por faixa etária, competência 07/2026. Base de 20.054 contratos com faixa identificada. Consulta em 09/09/2026.

Sete em cada dez contratos de vigilante do mês foram assinados por pessoas de 35 anos ou mais. Só 5,3% foram de jovens de até 24 anos. A explicação está na lei: a idade mínima para a atividade é 21 anos, e antes disso é preciso concluir um curso de formação específico e ser aprovado em exame de saúde física, mental e psicológica. Essa barreira empurra a idade de ingresso para cima e transforma a segurança privada numa das portas mais acessíveis do mercado formal para quem muda de carreira depois dos 35.

A diferença de salário entre as faixas é pequena. Quem entra com 35 anos ou mais recebe 8,6% a mais do que quem entra com até 24. Como o valor é definido por convenção, a idade quase não muda o salário de entrada. O que ela muda, e muito, é a chance de ser contratado.

Quanto vale a hora do vigilante

Converter salário mensal em valor por hora é o único jeito de comparar honestamente uma escala 12×36 com um contrato de 44 horas semanais. Na jornada padrão da CLT o divisor mensal é 220 horas. Na 12×36, a média mensal fica em torno de 180 horas.

Referência Valor mensal Hora em jornada de 220h Hora em escala 12×36
p25 R$ 1.901,96 R$ 8,65 R$ 10,57
Mediana R$ 2.271,74 R$ 10,33 R$ 12,62
p90 R$ 2.536,00 R$ 11,53 R$ 14,09
Cálculo da Redação Mapa das Carreiras sobre a mediana do Novo CAGED, CBO 517330, competência 07/2026. Divisor de 220 horas para a jornada padrão da CLT e de 180 horas para a média mensal da escala 12×36. Valores de salário base, sem adicionais.

A leitura é simples. Na escala 12×36 o vigilante trabalha em média 180 horas por mês em vez de 220, então a mesma mediana de R$ 2.271,74 equivale a R$ 12,62 por hora em vez de R$ 10,33. São 22,2% de diferença no valor da hora sem que um centavo mude no contracheque. Quem compara uma proposta de posto 12×36 com outra de segunda a sexta precisa fazer essa conta antes de decidir.

Piso salarial e convenção coletiva

Não existe piso nacional de vigilante fixado em lei. O que existe é o piso de cada convenção coletiva de trabalho, negociada entre o sindicato dos vigilantes e o sindicato patronal de cada base territorial, em geral com validade anual e registro no sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego. Por isso a pergunta correta nunca é qual o piso do vigilante no Brasil, e sim qual o piso da convenção da sua base territorial.

O que o dado de admissão permite dizer com segurança é onde a negociação está mordendo. Quando a mediana estadual coincide com o salário mínimo, como na Bahia, a convenção não está conseguindo puxar a categoria acima do piso legal geral. Quando a mediana estadual fica 25,9% acima da nacional, como no Distrito Federal, a convenção local entrega um patamar bem melhor.

Uma advertência necessária: o p25 desta página não é um piso. Ele é apenas o valor abaixo do qual ficou um quarto dos contratos assinados no mês. Piso é norma, percentil é estatística, e trocar um pelo outro é o erro mais comum em conteúdo sobre categoria regulamentada.

Profissões vizinhas da segurança privada

Comparar o vigilante com as ocupações que dividem a mesma família da CBO mostra onde estão os degraus reais da carreira e quanto vale cada um deles.

Ocupação CBO Admissões Mediana Diferença
Supervisor de vigilantes 510310 390 R$ 3.280,48 +44,4%
Bombeiro civil 517110 1.254 R$ 2.639,15 +16,2%
Vigilante 517330 20.066 R$ 2.271,74 referência
Agente de segurança 517310 537 R$ 2.070,00 -8,9%
Porteiro de edifícios 517410 20.951 R$ 2.031,57 -10,6%
Fiscal de loja 517425 6.526 R$ 2.029,64 -10,7%
Zelador de edifício 514120 7.263 R$ 1.861,20 -18,1%
Porteiro de hotel 517405 327 R$ 1.855,13 -18,3%
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Salário de admissão por CBO, competência 07/2026. Diferenças calculadas sobre a mediana do vigilante. Consulta em 09/09/2026.

Duas comparações valem por toda a tabela. A primeira é com o porteiro de edifícios, que teve praticamente o mesmo volume de contratação no mês, 20.951 admissões contra 20.066, e ainda assim entra 10,6% abaixo. A diferença entre as duas funções é justamente a exigência legal de curso de formação e registro. É um dos casos mais limpos do mercado brasileiro em que dá para medir em reais quanto vale uma credencial obrigatória.

A segunda é com o supervisor de vigilantes, que entra 44,4% acima. Esse é o degrau que compensa perseguir. E, ao contrário do que muita gente imagina, ele não depende de tempo de casa: depende de ensino médio completo e do curso específico, como detalha a seção sobre formação.

O bombeiro civil, 16,2% acima, é a alternativa lateral mais próxima para quem já está na área de proteção e quer mudar de trilha sem sair do setor. Os números completos dessa ocupação estão neste levantamento.

O vigilante entre as vinte ocupações que mais contratam

Em julho de 2026 o Brasil registrou 2.214.371 admissões formais distribuídas em 1.329 ocupações. As vinte maiores concentram boa parte desse volume, e o vigilante é a última a entrar nessa lista, na 20ª posição. O detalhe que quase ninguém percebe é a posição dele quando a lista é reordenada por salário.

Posição por salário Ocupação Admissões Mediana
1 Motorista de caminhão 50.525 R$ 2.809,00
2 Pedreiro 28.037 R$ 2.631,20
3 Técnico de enfermagem 21.707 R$ 2.451,14
4 Vigilante 20.066 R$ 2.271,74
5 Almoxarife 22.764 R$ 2.060,11
6 Assistente administrativo 66.226 R$ 2.050,00
7 Auxiliar de logística 68.902 R$ 2.040,00
8 Alimentador de linha de produção 119.211 R$ 2.039,84
9 Porteiro de edifícios 20.951 R$ 2.031,57
10 Cozinheiro geral 21.198 R$ 1.961,00
17 Recepcionista 33.052 R$ 1.805,43
18 Faxineiro 122.655 R$ 1.800,00
20 Auxiliar de escritório 71.043 R$ 1.773,00
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Vinte ocupações com maior número de admissões em 07/2026, ordenadas pela mediana do salário de admissão. Linhas intermediárias omitidas. Consulta em 09/09/2026.

Entre as vinte ocupações que mais contrataram no país, o vigilante tem o quarto melhor salário de admissão. Só perde para motorista de caminhão, pedreiro e técnico de enfermagem, e as três exigem, respectivamente, habilitação profissional específica, anos de ofício ou curso técnico de nível médio. Nenhuma delas é uma porta de entrada tão padronizada quanto a segurança privada, em que o requisito é um curso de formação com carga definida e registro.

É essa combinação que explica a atratividade da profissão: volume alto de vagas, exigência de escolaridade baixa e salário acima da maioria das ocupações de mesmo perfil. O preço disso aparece na outra ponta, no teto comprimido mostrado no começo desta página.

Onde a profissão se encaixa no mercado brasileiro

Separando as 1.329 ocupações de julho de 2026 por nível de formação exigido, o retrato do mercado formal brasileiro fica assim, com a mediana ponderada geral em R$ 2.224,69.

Nível Mediana de admissão Diferença para a base
Salário mínimo vigente R$ 1.621,00 -14,9%
Ocupações de base, sem exigência de formação específica R$ 1.904,08 referência
Vigilante R$ 2.271,74 +19,3%
Ocupações de nível médio técnico R$ 2.522,76 +32,5%
Ocupações de nível superior R$ 4.414,09 +131,8%
Fonte: Novo CAGED, Ministério do Trabalho e Emprego. Medianas ponderadas por grande grupo da CBO, competência 07/2026, sobre 2.214.371 admissões em 1.329 ocupações. Salário mínimo vigente em julho de 2026. Consulta em 09/09/2026.

O vigilante fica num lugar interessante do mapa: 19,3% acima da mediana das ocupações que não exigem formação específica e 2,1% acima da mediana geral do mercado formal, mas ainda 10,0% abaixo do patamar do nível técnico e 48,5% abaixo do nível superior. É uma profissão que paga acima da base sem exigir diploma, e é exatamente esse o seu apelo.

A mediana da ocupação equivale a 1,40 salário mínimo. Para quem está comparando a segurança privada com outras ocupações de entrada do mercado formal, esse é o número de referência mais útil, porque não depende de reajuste nem de convenção para ser comparado ao longo do tempo.

Formação exigida para atuar como vigilante

Desde setembro de 2024 a atividade é regida pela Lei 14.967, o Estatuto da Segurança Privada, que revogou a antiga Lei 7.102 de 1983. O art. 28 lista os requisitos para exercer a atividade: ser brasileiro nato ou naturalizado, ter no mínimo 21 anos, ser aprovado em exame de saúde física, mental e psicológica, concluir com aproveitamento o curso de formação específico, não ter antecedentes criminais por crime doloso e estar quite com as obrigações eleitorais e militares.

Há ainda dois requisitos específicos no parágrafo primeiro do mesmo artigo: ter concluído todas as etapas do ensino fundamental e estar contratado por prestador de serviço de segurança privada. O parágrafo quarto traz uma informação prática que economiza tempo de muita gente: para se matricular na escola de formação não é preciso já estar contratado. Dá para fazer o curso antes de ter emprego na área.

Para o vigilante supervisor a exigência sobe para ensino médio completo. E o estatuto criou uma figura que não existia na lei antiga: a do gestor de segurança privada, definido no art. 26 como profissional especializado de nível superior, responsável por análise de risco, projeto de proteção e auditoria de segurança. Pela primeira vez a lei desenhou um degrau de nível superior dentro do setor.

A lei não determina qual graduação atende a esse perfil, e é honesto dizer isso em vez de fingir que existe um curso obrigatório. O que o dado desta página mostra é que a distância entre o posto operacional e as funções de coordenação e gestão é grande o bastante para justificar a conta antes de decidir.

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Mercado de trabalho para vigilante

Com 20.066 admissões em julho de 2026, o vigilante foi a 20ª ocupação que mais contratou no Brasil no mês e respondeu sozinho por 0,91% de todas as contratações formais do país. Num universo de 1.329 ocupações com contratação registrada, estar entre as vinte primeiras significa uma coisa bem prática: há vaga aberta o ano inteiro, em praticamente toda cidade de porte médio.

O setor vem de um ciclo de recuperação depois de anos de retração, movimento que entidades patronais da segurança privada vêm registrando e que o saldo mensal do CAGED acompanha. Os dados de admissões e desligamentos por ocupação são publicados todo mês pelo Ministério do Trabalho e Emprego no portal do Novo CAGED, e é dessa base que sai cada número desta página.

Vale registrar um ponto de método: as estatísticas de efetivo de vigilantes divulgadas por entidades do setor contam quem está habilitado ou empregado, o que é diferente de contar quem foi contratado no mês. Os dois recortes respondem a perguntas distintas e não devem ser somados nem comparados diretamente.

Para entender o tamanho relativo dessa ocupação dentro do mercado brasileiro, vale olhar o levantamento completo das profissões que mais contrataram em julho de 2026.

Cinco erros ao comparar salário de vigilante

1. Confundir salário base com o que cai na conta. Os valores desta página são de salário contratual. Adicional de periculosidade, adicional noturno, horas extras e benefícios não estão incluídos, e no caso do vigilante a periculosidade sozinha representa 30% sobre o base.

2. Comparar estados sem olhar o volume. Uma mediana calculada sobre 28 contratos não tem a mesma solidez de uma calculada sobre 6.731. Por isso a coluna de admissões aparece em toda tabela desta página.

3. Tratar salário de admissão como salário da categoria. Quem já está empregado há anos, com reajustes de convenção acumulados, ganha mais do que aparece aqui. O dado de admissão mede a porta de entrada, não o meio da carreira.

4. Usar média em vez de mediana. Neste caso as duas quase se encontram, mas em ocupações com poucos contratos muito altos a média engana com facilidade.

5. Somar o carro forte na conta geral. Transporte de valores e escolta armada têm extensões de curso e adicionais próprios. Estão dentro da mesma CBO, mas puxam a ponta de cima da distribuição e não representam o posto de vigilância patrimonial comum.

Como negociar o salário de vigilante

Numa categoria com piso de convenção e faixa comprimida, negociar o salário base na entrada rende pouco. O que rende é negociar tudo o que fica em volta dele.

Negocie o posto, não o valor. A diferença entre uma portaria e um posto de vigilância bancária ou transporte de valores aparece na ponta de cima da distribuição, no p90 de R$ 2.536,00. Perguntar qual posto será ocupado rende mais do que pedir R$ 100 a mais no base.

Pergunte pela escala antes de aceitar. Como mostra a seção sobre valor da hora, um posto 12×36 e um de 44 horas semanais com o mesmo salário mensal representam 22,2% de diferença no valor da hora trabalhada.

Confirme os adicionais por escrito. Periculosidade, adicional noturno e insalubridade quando cabível precisam constar na proposta. Oferta que fala em salário total sem discriminar o que é base e o que é adicional é a que mais gera frustração no primeiro contracheque.

Trate as extensões de curso como investimento. Transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal e grandes eventos são extensões da formação que abrem postos mais bem pagos e costumam ser exigidas nos editais de contratação das empresas.

Mire o degrau seguinte desde o começo. Os 44,4% de diferença para o supervisor de vigilantes valem mais do que qualquer negociação de entrada, e o requisito é ensino médio completo mais curso específico, não tempo de casa.

O que este dado não mostra

O Novo CAGED registra vínculos formais celetistas. Esta página, portanto, não cobre quem trabalha na segurança pública, que é carreira estatutária com regra de remuneração própria, nem quem atua sem registro em carteira. Também não cobre quem já está empregado: a base é de admissões, não de estoque de vínculos.

A base também não separa o tipo de posto dentro da CBO 517330. Vigilância patrimonial, bancária, transporte de valores e escolta armada aparecem juntas, o que alarga a distribuição na ponta de cima. E, como já dito, o valor registrado é o salário contratual, sem adicionais e sem horas extras.

Para o retrato de quem já está na profissão há anos, a fonte adequada é a RAIS, que mede estoque de vínculos. Para incluir trabalho informal, a fonte é a PNAD Contínua do IBGE. São recortes diferentes, que respondem a perguntas diferentes, e misturá-los é o caminho mais rápido para um número errado.

Glossário

Mediana: valor que divide o conjunto ao meio. Metade dos contratos ficou abaixo dele e metade acima. É menos sensível a valores extremos do que a média.

p25, p75 e p90: percentis. O p25 é o valor abaixo do qual ficou 25% dos contratos, o p75 marca 75% e o p90 marca 90% deles.

CBO: Classificação Brasileira de Ocupações. É a ocupação declarada no registro, não o cargo interno da empresa. A CBO do vigilante é 517330.

Salário de admissão: valor do contrato registrado no momento da contratação, sem adicionais e sem os reajustes que vierem depois.

Novo CAGED: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, sistema do Ministério do Trabalho que registra mensalmente admissões e desligamentos com carteira assinada.

Convenção coletiva: acordo entre sindicato de trabalhadores e sindicato patronal que vale para toda a base territorial, com registro no sistema Mediador.

Quando esta página é atualizada

Os números são recalculados a cada nova competência divulgada do Novo CAGED, o que acontece mensalmente. Quando a mediana da ocupação varia mais de 3% em relação à última publicação, as tabelas, os gráficos e a competência declarada nas fontes são refeitos. A data de revisão no rodapé indica sempre a última verificação.

Perguntas frequentes sobre o salário do vigilante

Quanto ganha um vigilante noturno? A base do CAGED não separa turno. O que a lei garante é o adicional noturno sobre as horas trabalhadas entre 22h e 5h, calculado sobre o salário base. Partindo da mediana de R$ 2.271,74, o adicional incide sobre a fração noturna da jornada, e não sobre o mês inteiro.

Quanto ganha um vigilante de carro forte? Transporte de valores está dentro da mesma CBO 517330 e puxa a ponta de cima da distribuição. O p90 de R$ 2.536,00 é a melhor referência pública disponível para esse tipo de posto em salário base, sem contar adicionais e extensões de curso.

Quanto ganha um vigilante de banco? Vigilância bancária também está na mesma CBO. Vale a mesma leitura do carro forte: o dado público não isola a atividade, então o p75 e o p90 são as referências mais próximas.

Qual o salário de um vigilante patrimonial? É a atividade mais comum da categoria e a que mais pesa na mediana. Por isso R$ 2.271,74 é a referência direta para esse tipo de posto.

Quanto ganha um vigilante armado? A lei não cria remuneração separada para o vigilante armado. O que muda é a extensão de curso exigida e o tipo de posto, e é o posto que aparece na ponta de cima da distribuição.

Qual estado paga o melhor salário? Entre os doze estados de maior volume, o Distrito Federal, com mediana de R$ 2.859,58 em julho de 2026, 25,9% acima da mediana nacional.

Quanto ganha um vigilante em São Paulo? R$ 2.271,74, exatamente a mediana nacional, sobre 6.731 admissões no mês. São Paulo concentra um terço das contratações do país na ocupação.

Quanto ganha um vigilante no Rio de Janeiro? R$ 2.034,15, ou 10,5% abaixo da mediana nacional, sobre 1.692 admissões registradas em julho de 2026.

Existe tabela de salário de vigilante? Existe tabela de piso por convenção coletiva, publicada por cada sindicato e registrada no sistema Mediador. Não existe tabela nacional única, e é por isso que esta página trabalha com a distribuição observada nas contratações reais.

Precisa de faculdade para ser vigilante? Não. A exigência legal é ensino fundamental completo, idade mínima de 21 anos e curso de formação específico. A graduação aparece no topo da carreira, na figura do gestor de segurança privada criada pelo Estatuto de 2024.

Vigilante ganha mais que porteiro? Sim. Na comparação de julho de 2026, o vigilante entra 10,6% acima do porteiro de edifícios, e as duas ocupações contrataram volumes muito parecidos no mês.

Se a leitura desta página fez sentido, o passo seguinte é olhar com calma o degrau de nível superior que o próprio Estatuto da Segurança Privada desenhou para o setor e comparar as opções de formação a distância antes de decidir qualquer coisa.

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Dados revisados em setembro/2026. Publicado pela Redação Mapa das Carreiras.

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